O que aconteceu
O Brent, a referência do petróleo na Europa, subiu mais de 3% numa só sessão esta semana. Segundo o ECO, o motivo foi Donald Trump ter rejeitado uma proposta de paz do Irão. Os mercados leram a notícia da forma mais simples: menos hipóteses de calma na região, mais risco para o abastecimento, cada barril mais caro.
De resto, foi uma semana tranquila para o orçamento das famílias. O BCE não tomou nenhuma decisão sobre taxas, por isso nada mudou na Euribor nem na prestação da casa. A notícia foi o petróleo.
Como um barril em Londres chega ao seu depósito
Os preços nas bombas em Portugal acompanham o preço dos combustíveis refinados nos mercados internacionais, normalmente com um atraso de uma a duas semanas. Os preços mudam à semana e a variação esperada costuma ser conhecida à sexta para a segunda seguinte.
Mas o crude é só uma parte do que paga. Uma fatia grande de cada litro são impostos: o ISP, e o IVA a 23% cobrado por cima de tudo, incluindo o próprio ISP. A distribuição e as margens ficam com o resto. É por isso que uma subida de 3% no Brent não se transforma numa subida de 3% na bomba. Um dia forte, sozinho, costuma mexer um ou dois cêntimos no preço, às vezes nada. O que conta é se a tensão se mantém durante semanas.
O exemplo, em números redondos
Pense numa família com um carro que gasta cerca de 50 litros por mês. A ida para o trabalho, a escola dos miúdos, a visita de domingo aos avós.
- A 1,70 € por litro, são 85 € por mês.
- Se a tensão continuar e o preço subir 10 cêntimos por litro, passa a 90 €. Mais 5 €.
- Se subir 20 cêntimos, passa a 95 €. Mais 10 €.
Num ano, fica algures entre 60 € e 120 €. Com dois carros, o dobro.
Não é uma crise. É mais ou menos o preço de uma subscrição de streaming. Mas chega em cima de tudo o resto, e chega sem aviso.
O que não sabemos
Bastante, para ser honesto. Não sabemos se esta tensão vai durar. Um acordo, novas sanções ou uma decisão da OPEP podem inverter o movimento num dia, tal como outra manchete o pode prolongar.
Não sabemos o que o Governo vai fazer com o ISP. O ministro das Finanças rejeitou há pouco propostas para baixar o IVA nos combustíveis, portanto um alívio vindo do Orçamento do Estado não parece estar para breve.
E não sabemos quanto vai chegar ao supermercado, o que nos leva à parte que passa mais despercebida.
O custo indireto: o cabaz de compras
O gasóleo move os camiões, e quase tudo o que comemos chega à prateleira por estrada. Os agricultores usam gasóleo agrícola. O ECO tem noticiado que muitas PME portuguesas dizem estar no limite do que conseguem absorver em custos de energia. Se o gasóleo continuar caro, parte disso vai aparecer nos preços nos meses seguintes.
Não conseguimos pôr um número honesto nisto. Por produto, tende a ser pouco, mas toca em quase tudo o que vai no carrinho. Se além disso usa um carro a gasóleo para trabalhar, sente o efeito duas vezes: uma na bomba, outra na caixa do supermercado.
A única coisa a fazer este mês
Compare preços antes de abastecer e dê uma pequena folga à linha do combustível no orçamento.
Eis porque comparar vale mais do que acertar no momento. Atestar antes de uma subida ajuda um pouco: num depósito de 50 litros, poupar 3 cêntimos por litro dá 1,50 €. Compensa se passar por uma bomba de qualquer forma, não compensa um desvio.
Já a diferença entre postos na mesma zona chega facilmente aos 10 ou 15 cêntimos por litro. Em 50 litros por mês, são 5 € a 7,50 €. Ou seja, escolher bem o posto pode cobrir toda a subida do nosso exemplo. A DGEG tem um comparador público de preços de combustíveis, e várias aplicações mostram os mesmos dados num mapa. Os postos dos hipermercados são muitas vezes mais baratos, os das autoestradas quase sempre mais caros.
Depois, o orçamento. Suba a linha do combustível em 10 € nos próximos dois meses. Se os preços não subirem, passe esse dinheiro para a poupança no fim do mês. Se a sua casa planeia o ano com os 14 meses de salário, é precisamente para choques pequenos como este que servem o subsídio de férias e o de Natal, desde que não estejam já gastos por antecipação.
Alguns hábitos ajudam na margem: a pressão certa nos pneus, menos viagens curtas, os recados todos juntos numa só saída. Nenhum é dramático. Somados, valem alguns litros por mês.
Se preferir ver quanto custa realmente o transporte da sua família todos os meses sem manter uma folha de cálculo, a Household separa automaticamente o que gasta em combustível a partir da conta bancária. Pode começar grátis e confirmar se esses 5 € já estão a aparecer.
Perguntas frequentes
O preço dos combustíveis vai subir na próxima semana? Pode subir, mas um só dia de petróleo mais caro raramente mexe muito na bomba. Os preços seguem os mercados de refinados com uma a duas semanas de atraso. Se o Brent se mantiver alto, conte com alguns cêntimos; se recuar, a subida pode nem chegar.
Quanto custa por mês uma subida de 10 cêntimos por litro? Multiplique pelos litros que gasta. Com 50 litros por mês, 10 cêntimos são 5 € por mês, ou 60 € por ano. Com 100 litros, dois carros, são 10 € por mês.
Vale a pena atestar o depósito antes da subida? Só se não lhe custar nada a mais. A poupança costuma ser de um ou dois euros por depósito. Comparar postos na zona tende a poupar mais, muitas vezes 5 € ou mais por mês.