O facto. A 21 de setembro, a ECO noticiou que o conflito EUA-Irão, o avanço dos huthis junto ao estreito de Bab el-Mandeb e um ataque a um oleoduto saudita fizeram disparar os preços do petróleo e dos destilados, incluindo o jet fuel. No mesmo dia, o Observador confirmou que os preços dos combustíveis em Portugal atingiram níveis "nunca antes vistos". Não é um pico isolado num só país. É um choque do lado da oferta que percorre toda a cadeia, do petróleo bruto até ao posto ao lado de casa.
Fonte. ECO, 21 de setembro, citando os movimentos no mercado petrolífero ligados ao conflito EUA-Irão e à disrupção em Bab el-Mandeb. Observador, na mesma data, sobre os preços recorde nos postos em Portugal. Em separado, a ECO estimou que os condutores portugueses já pagaram mais 1,16 mil milhões de euros nos postos desde que o petróleo ultrapassou os 100 dólares o barril, ainda este ano. Não é uma previsão. É dinheiro já gasto.
O que isso muda em euros por mês. Pense numa família com dois carros que faz, no total, cerca de 1.500 km por mês, um padrão comum quando há dois trajetos casa-trabalho, mais idas à escola e recados ao fim de semana. Com um consumo médio de 6 litros aos 100 km, isso dá cerca de 90 litros por mês. Uma subida de 10 cêntimos por litro, próxima do que já se viu em episódios semelhantes, acrescenta cerca de 9 euros por mês só em combustível. Somando o desfasamento habitual entre gasóleo e gasolina, que nem sempre sobem ao mesmo ritmo, um intervalo realista para muitas famílias com dois carros é entre 12 e 15 euros a mais por mês. Num ano, isso são entre 144 e 180 euros, quase uma semana de compras para uma família de quatro pessoas.
Porque é que o Governo não está a intervir. O Ministro das Finanças, Miranda Sarmento, rejeitou propostas do Chega e do PS para cortar o IVA nos combustíveis e no cabaz alimentar básico, alertando que isso empurraria o orçamento do Estado para défice em 2027. Pediu também ao Banco Central Europeu que seja cauteloso na resposta a este episódio, argumentando tratar-se de um choque do lado da oferta, ligado ao petróleo, e não de um choque do lado da procura como o de 2022. Em termos simples: não há alívio fiscal nos combustíveis à vista por via do orçamento do Estado a curto prazo, e é pouco provável que as taxas de juro subam de forma acentuada só por causa disto. Ambas as leituras assentam em sinais atuais, não são garantias.
O que não sabemos. Quanto tempo vai durar a tensão no Médio Oriente, se se resolve em semanas ou se se arrasta pelo próximo ano, está fora do alcance de qualquer previsão fiável. Também não sabemos se os preços nos postos em Portugal vão continuar a subir ao mesmo ritmo, porque os preços globais do petróleo e as margens locais nem sempre andam a par. Encare os 12 a 15 euros como um intervalo de planeamento, não como um número fixo para a sua casa.
O que fazer este mês. Três coisas, por ordem de esforço.
Primeiro, veja qual a marca e o posto que realmente lhe dá o melhor preço perto de casa e do trabalho, usando uma app de comparação de preços em vez do hábito. Diferenças de 5 a 8 cêntimos por litro entre postos próximos são comuns em Portugal e, ao fim de 90 litros por mês, pesam no orçamento.
Segundo, se tem cartão de combustível da empresa ou um programa de fidelização, confirme se ainda é competitivo. Alguns cartões prendem-no a uma rede que já não é a mais barata.
Terceiro, nos próximos dois meses, enquanto os preços estão instáveis, pondere agrupar deslocações. Juntar a ida à escola com uma paragem no supermercado, ou usar transporte público num dos trajetos semanais se for viável, pode compensar grande parte dos 12 a 15 euros extra sem mudar a sua rotina.
Se quiser ver como uma subida de 10 cêntimos se reflete de facto no seu padrão de condução e no resto do orçamento, sem montar uma folha de cálculo, o Household mostra esse número a partir das suas próprias transações. É uma linha entre muitas, não o centro do exercício.
Perguntas frequentes
Porque é que a gasolina está mais cara precisamente agora? Os preços do petróleo e dos destilados, incluindo o jet fuel, subiram de forma acentuada depois de o conflito EUA-Irão, o avanço dos huthis junto a Bab el-Mandeb e um ataque a um oleoduto saudita terem afetado as expectativas de oferta. Isto empurrou os preços nos postos em Portugal para níveis recorde, segundo a ECO e o Observador a 21 de setembro.
O Governo vai cortar o IVA nos combustíveis para ajudar? Para já, não. O Ministro das Finanças rejeitou propostas para cortar o IVA nos combustíveis e no cabaz alimentar básico, citando o risco de o orçamento do Estado entrar em défice até 2027. Isso pode mudar, mas não há plano atual nesse sentido.
Quanto vou pagar a mais, na prática? Depende de quanto conduz e de quanto os preços subirem. Como referência, uma família com dois carros que faça 1.500 km por mês verá cerca de 12 a 15 euros a mais por mês por cada subida de 10 cêntimos por litro. Verifique os seus próprios recibos de combustível para saber o seu número real.