O combustível está mais caro, e não vem aí nenhum corte de impostos

Os condutores portugueses pagaram mais 1.160 milhões de euros nos postos. O governo já disse que não corta o IVA. O que fazer este mês.

O petróleo ultrapassou os 100 dólares o barril quando a guerra entre Israel e o Irão se agravou este ano. Desde então, os condutores portugueses pagaram mais 1.160 milhões de euros nos postos de combustível, segundo uma estimativa do ECO. Isto não é uma previsão. É dinheiro que já saiu das contas das pessoas, depósito a depósito.

Para uma família com dois carros e uma deslocação diária habitual, isto traduz-se em mais 15 a 25 euros por carro, por mês, em comparação com o nível de preços antes da subida. Não é um choque suficiente para fazer manchete em casa. É o tipo de custo que redefine silenciosamente o que é "normal", e depois fica assim.

Porque não vem aí nenhum alívio

O Chega e o PS propuseram, este mês, cortar o IVA sobre os combustíveis. Alguns também sugeriram IVA zero no cabaz alimentar básico. O Ministro das Finanças, Miranda Sarmento, disse não às duas propostas. O argumento: cortar estes impostos agora desviaria o défice português da meta de 2027 acordada com Bruxelas.

Ou seja, o Estado não vai absorver isto por si. Não há nenhum desconto no combustível planeado, nem redução de IVA em cima da mesa. O custo extra do petróleo fica exatamente onde caiu: nos orçamentos das famílias.

Há um segundo pormenor que vale a pena conhecer, mesmo que não mude a sua conta este mês. Sarmento também pediu ao Banco Central Europeu que seja cauteloso na resposta a este episódio de inflação. O argumento é que se trata de um choque do lado da oferta, o petróleo ficou mais caro por causa de uma guerra, e não um choque de procura como o de 2022, quando todos gastavam livremente depois dos confinamentos. Esta distinção é importante para as taxas de juro. Um choque de oferta normalmente não justifica que o BCE suba as taxas da forma como um choque de procura justificaria. Não sabemos se o BCE vai concordar com esta leitura, nem quanto tempo este episódio de preços vai durar. Mas é uma razão para não esperar que a Euribor dispare só por causa do combustível.

O que ajuda mesmo, este mês

Não pode mudar o preço do petróleo. Mas pode mudar três coisas que estão totalmente ao alcance de uma família.

Comparar preços antes de atestar. Postos de combustível na mesma cidade têm frequentemente diferenças de 0,05 a 0,10 euros por litro. Num depósito de 50 litros, isso são 2,50 a 5,00 euros poupados de cada vez, só por verificar antes de entrar. Há várias aplicações gratuitas que mostram preços em tempo real perto de si. É a poupança mais fácil desta lista, porque não custa nada e demora trinta segundos.

Juntar as deslocações. Quatro viagens curtas ao longo da semana gastam mais combustível do que uma viagem mais longa que resolva os mesmos recados, porque um motor frio consome mais nos primeiros quilómetros. Planear a ida à escola, ao supermercado e à farmácia num único trajeto, em vez de três saídas separadas, é um pequeno hábito com poupança semanal real.

Considerar boleia partilhada ou um dia de transporte público. Se a conta mensal de combustível de um carro ronda os 150 euros, cortar 10 a 15 por cento da condução, por exemplo partilhando a deslocação duas vezes por semana ou apanhando o comboio um dia, reduz isso em 15 a 22 euros por mês. Não vai resolver a conta nacional de 1.160 milhões de euros. Vai resolver a sua.

Vejamos um exemplo com números. Uma família com dois carros gastava 140 euros por carro por mês antes da subida, 280 euros no total. Depois da subida, cada carro custa mais 20 euros, chegando aos 320 euros no total. Comparando preços nos postos e cortando uma viagem semanal por carro através de melhor planeamento, poupam cerca de 15 euros por carro, ficando perto dos 290 euros. Não voltam ao ponto de partida, mas ficam 30 euros por mês mais perto disso, sem abdicar de nada.

É esta a decisão deste mês: não pode desfazer o efeito da guerra no petróleo, mas pode decidir quanto disso se torna problema seu.

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Perguntas frequentes

Os preços dos combustíveis vão baixar em breve? Não sabemos. Depende de como a guerra no Irão evoluir e se a oferta de petróleo estabilizar. A estimativa do ECO reflete o custo até agora, não uma previsão do que vem a seguir.

O governo está a planear algum desconto no combustível? Não. O Ministro das Finanças excluiu explicitamente o corte de IVA nos combustíveis ou nos alimentos, citando a meta de défice de 2027 acordada com a UE.

Isto vai fazer subir as taxas de juro? Não é claro. O Ministro das Finanças pediu ao BCE que trate isto como um choque de oferta e não de procura, o que normalmente pesa contra uma subida acentuada das taxas. Não sabemos como o BCE vai reagir.

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